Escleroterapia para Vasinhos e Varizes
Aplicação de glicose e outros esclerosantes para telangiectasias e microvarizes
O que é a Escleroterapia?
A escleroterapia é um dos procedimentos mais realizados pelo cirurgião vascular em consultório. Também conhecida como aplicação de vasinhos, consiste na injeção de uma substância esclerosante diretamente dentro da veia doente. Diversas substâncias podem ser utilizadas, porém, no Brasil, as mais comuns são a glicose hipertônica a 75% e o polidocanol. O medicamento esclerosante é uma substância que, quando injetada, causa um dano controlado ao endotélio (a camada mais interna da veia, em contato direto com o sangue).

Qual o melhor esclerosante para se realizar a escleroterapia?
Diversos medicamentos esclerosantes são utilizados para as injeções da escleroterapia. No Brasil, as substâncias mais utilizadas são a glicose hipertônica a 75%, o polidocanol e o oleato de monoetanolamina.
A glicose é uma solução hipertônica (concentrada) usada como agente esclerosante em flebologia. Funciona de forma semelhante a outros esclerosantes: quando injetada dentro da veia doente, causa um dano controlado ao endotélio (a camada mais interna do vaso, em contato direto com o sangue).
A glicose tem um perfil de segurança notavelmente melhor do que outros esclerosantes. Suas principais vantagens são: menor incidência de manchas após o procedimento, menor risco de reações alérgicas e menor potencial para complicações sistêmicas.
A contrapartida é que a glicose é menos potente que o polidocanol. Por isso, a Dra. Juliana Puggina frequentemente opta por uma combinação: glicose + polidocanol misturados, que oferece o melhor dos dois mundos — a segurança da glicose com a potência amplificada pelo polidocanol.
Um estudo científico mostrou que a combinação de polidocanol com glicose foi significativamente mais eficaz, eliminando em média 95% das veias tratadas, contra 85% quando se usou apenas glicose. Quanto à segurança, o estudo foi tranquilizador: nenhuma paciente apresentou complicações graves, como trombose, e o efeito colateral mais comum — uma leve pigmentação (manchinha) no trajeto do vaso tratado — ocorreu em ambos os grupos em taxas baixas e sem diferença relevante entre eles. (Bertanha M et al, 2017)
Para quem é indicado?
A escleroterapia líquida convencional pode ser utilizada em veias de pequeno calibre:
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Telangiectasias (vasinhos vermelhos e roxos menores que 1mm)
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Microvarizes (varizes pequenas de até 3mm de diâmetro)
Não indicada para: varizes médias e grandes, veias safenas ou varizes de alto fluxo, que requerem agentes mais potentes (como a espuma de polidocanol) ou outras técnicas como laser transdérmico, termoablação com laser endovenoso ou cirurgia.
A escleroterapia com glicose pode ser feita em pacientes diabéticos?
O diabetes, por si só, não é uma contraindicação absoluta para o tratamento de vasinhos e veias reticulares com escleroterapia. Uma revisão da literatura científica publicada em 2014 mostra que a escleroterapia pode ser realizada com segurança em diabéticos bem controlados (idealmente com hemoglobina glicada abaixo de 6,5%). (Ferrara & Ferrara, 2014)
Dois estudos brasileiros ajudam a esclarecer, com dados concretos, o impacto da glicose usada na escleroterapia sobre o açúcar do sangue. O primeiro, publicado por Belczak et al. acompanhou 35 mulheres não diabéticas, em jejum, que receberam uma ampola de 10 ml de glicose hipertônica a 75% durante o tratamento de vasinhos nas pernas: logo após a aplicação, a glicemia subiu, em média, 42,8 mg/dl — cerca de 49% acima do valor inicial. Esse aumento, embora significativo do ponto de vista estatístico, ocorreu dentro de uma faixa clinicamente segura em pessoas sem diabetes. (Belczak et al, 2004) Um estudo mais recente, publicado em 2019, avaliou 15 mulheres antes, imediatamente depois e 30 minutos após a aplicação da glicose 75% em microvasos, e mostrou que, mesmo quando houve um pequeno pico de glicemia logo após o procedimento, em 30 minutos os níveis já haviam retornado ao normal em todas as pacientes. (Cunha et al, 2019)
Na prática, isso significa que, em pessoas sem diabetes, o impacto da glicose usada na escleroterapia sobre o açúcar do sangue é transitório, controlado e sem relevância clínica. Em pacientes diabéticos, porém, esse pico momentâneo pode ser mais expressivo e difícil de prever, razão pela qual o procedimento exige avaliação individualizada, controle rigoroso da doença antes da sessão.
Quais as vantagens do tratamento com a escleroterapia?
A escleroterapia apresenta diversas vantagens:
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Sem anestesia: o procedimento é realizado com punção por agulha fina, sem necessidade de anestesia local ou geral
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Sem internação: realizado inteiramente em consultório
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Minimamente invasivo: nenhum corte, nenhuma cicatriz; apenas punção com agulha
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Recuperação rápida: retorno às atividades no mesmo dia
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Repetível: se necessário, pode ser refeito sem complicação adicional
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Acessível a pacientes de risco: idade avançada, diabéticos, doenças cardíacas, renais ou hepáticas associadas
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Bom custo-benefício : geralmente é um procedimento com custo financeiro muito inferior aos tratamentos cirúrgicos e com laser.
Como funciona a sessão?
1. Mapeamento vascular: Com auxílio de realidade aumentada (VeinViewer) e ultrassonografia, a médica identifica exatamente quais veias estão insuficientes e definir a estratégia de tratamento
2. Preparo da medicação: a medicação esclerosante líquida é aspirada em uma seringa. A medicação é manipulada por laboratório certificado e vem pronta para o uso.
3. Resfriamento da pele: Um jato de ar gelado (-20 a -30°C) é aplicado continuamente sobre a área de tratamento, reduzindo significativamente a sensação dolorosa. Não há necessidade de anestesia.
4. Aplicação do esclerosante: Com visualização em tempo real pelo fleboscópio ou pela realidade aumentada , a medicação é injetada diretamente na veia doente.
5. Compressão: Algodão, curativos adesivos e meia elástica de compressão (20–30mmHg) são aplicados sobre a área tratada. A compressão reduz hematomas e diminui o risco de manchas.
6. Deambulação: A paciente é orientada a caminhar imediatamente após o procedimento. A movimentação é importante para a segurança.
A sessão tem duração média de 60 minutos e é realizada na própria clínica em todos os dias e horários de atendimento, de acordo com a disponibilidade de agenda.
Quando os vasos desaparecem após o tratamento?
O resultado da escleroterapia não é imediato.
Após a injeção, o esclerosante destrói o endotélio da veia, que é a camada mais interna do vaso.
A glicose destrói o endotélio da veia através de um mecanismo osmótico: a solução hipertônica extrai água das células endoteliais, causando sua desidratação e morte.
O polidocanol e o oleato de monoetanolamina agem por um mecanismo diferente. São substâncias detergentes que dissolvem a camada externa lipídica das células endoteliais, causando a morte celular.
Em ambos os casos, o organismo detecta o dano causado nas células endoteliais e inicia uma resposta inflamatória controlada.
Mediadores inflamatórios são liberados no local, macrófagos (células do sistema imunológico) são mobilizados e começam a fagocitar ("comer") as células mortas da parede do vaso. Ao longo de dias a semanas, a veia tratada é progressivamente absorvida e eliminada pelo organismo.
Esse é o mesmo mecanismo biológico que ocorre após o laser e a radiofrequência: o sistema imunológico faz o trabalho final de remoção. A diferença é que, no caso da espuma, o dano inicial é químico (e não térmico). (Goldman MP, 2017)

Como é a recuperação e quais os cuidados pós-sessão?
Uma das principais vantagens da escleroterapia é a recuperação imediata. A paciente sai da sessão caminhando normalmente e não precisa de repouso.
Atividade física leve (caminhada): liberada imediatamente após a sessão.
Atividade física intensa (academia, corrida): aguardar a retirada dos curativos compressivos (4 a 6 horas, dependendo do tamanho das veias tratadas)
Meia elástica: uso recomendado por 14 a 21 dias após a sessão (20–30mmHg). (Rabe et al., 2014)
Exposição solar: evitar sol direto na área tratada durante pelo menos 4 a 6 semanas após a sessão, enquanto houver equimose (roxo) ou inflamação ativa. Aplicar protetor solar FPS 50+ diariamente, mesmo em dias nublados. Além do depósito de hemossiderina (pigmento de ferro do sangue), a pele tratada pode desenvolver hiperpigmentação pós-inflamatória por melanina, que é estimulada pelos raios ultravioletas e pode se tornar persistente. (Bossart et al., 2025 · Goldman MP et al., 1995)
Qual a quantidade indicada de sessões?
O número de sessões varia conforme a extensão e quantidade de vasos.
O polidocanol, como qualquer medicamento, possui uma dose máxima recomendada para uso. O recomendado é utilizar até 10 ml da espuma por procedimento por dia com o objetivo de diminuir a probabilidade de complicações. (Smith PC, 2008)
Já no caso da glicose hipertônica pura há a possibilidade de uso de volumes maiores, considerando que não há dose máxima descrita para essa substância. Sendo assim, é possível realizar várias sessões de escleroterapia com glicose no mesmo dia, de acordo com a tolerância e disponibilidade da paciente.
Quais os possíveis efeitos adversos e complicações da escleroterapia?
Todo procedimento médico pode apresentar efeitos adversos, e é importante que a paciente esteja informada.
A glicose hipertônica pura possui um perfil de segurança mais amplo do que os demais esclerosantes, não sendo capaz de causar alergias e menos propensa a causar efeitos adversos relacionados com o efeito de vasoconstricção da liberação de endotelina-1.
Comuns e esperados (incidência maior que 10% nos estudos)
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Equimoses e hematomas (manchas roxas) no trajeto da veia tratada: 40 a 75% das pacientes, desaparecem em 10 a 14 dias (Rabe et al., 2014 · Gillet et al., 2009)
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Edema (inchaço local): 30 a 60% das pacientes nas primeiras 24 a 72 horas, resolve-se em 3 a 7 dias (Rabe et al., 2014 · Breu et al., 2008)
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Hiperpigmentação (manchas escurecidas): 10 a 30% das pacientes, por depósito de hemossiderina (pigmento de ferro do sangue) ou resposta inflamatória cutânea. Quando ocorre, 70% desaparece espontaneamente em 6 meses e 90 a 99% em 12 meses. Casos persistentes podem ser tratados com cremes clareadores, laser Q-switched ou picossegundos (Goldman MP et al., 1995 · Thibault & Wlodarczyk, 1994 · Rabe et al., 2014 · Guex et al., 2010)
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Matting telangiectásico (nuvem de microvasos no local onde havia o vaso tratado): 15 a 35% das pacientes. Geralmente regride em 3 a 12 meses; casos persistentes são tratados com laser transdérmico complementar ou escleroterapia seletiva (Davis & Duffy, 1990 · Goldman MP et al., 1995 · Kern et al., 2011)
Frequentes (incidência de 5 a 10% nos estudos)
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Flebite superficial: 4 a 10% das pacientes. Cordão endurecido e dolorido no trajeto tratado; conduta com microtrombectomia (drenagem do coágulo) entre 7 e 21 dias, compressas frias e anti-inflamatórios (Guex et al., 2010 · Gillet et al., 2009 )
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Cefaleia transitória após a sessão: 4 a 7% das pacientes. Relacionada à liberação de endotelina-1 pelo esclerosante detergente (polidocanol por exemplo). Autolimitada, resolve-se em minutos a poucas horas sem tratamento específico. Não há relatos na literatura científica desse tipo de complicação na escleroterapia realizada com glicose hipertônica pura. O mecanismo de destruição das células endoteliais pela glicose é relacionado com a desidratação sem causar ruptura da célula e extravasamento do seu conteúdo na corrente sanguínea, ocorrendo assim menor liberação de endotelina-1. (Jia et al., 2007 · Guex et al., 2010 · Frullini et al., 2011 )
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Tosse seca ou sensação de aperto torácico durante/logo após a aplicação: 2 a 7% das pacientes. Autolimitada, desaparece em minutos. Também relacionado à liberação de endotelina-1, portanto ocorrendo com mais frequência na escleroterapia com polidocanol e outros detergentes médicos. Não há relatos na literatura científica desse tipo de complicação na escleroterapia realizada com glicose hipertônica pura. (Frullini et al., 2011)
Raras (incidência menor que 5% nos estudos)
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Distúrbios visuais transitórios (escotomas, embaçamento, flashes de luz): 1,4 a 2% das pacientes. Resolvem-se espontaneamente em 15 a 30 minutos. Mais frequentes em pacientes com forame oval patente. Também relacionado à liberação de endotelina-1, portanto ocorrendo com mais frequência na escleroterapia com polidocanol e outros detergentes médicos. Não há relatos na literatura científica desse tipo de complicação na escleroterapia realizada com glicose hipertônica pura (Guex et al., 2010 · Morrison et al., 2008 · Worthington-Kirsch & Andrews, 2005)
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Trombose venosa profunda (TVP): 0,2 a 2,6% das pacientes (Não há relatos na literatura científica desse tipo de complicação na escleroterapia realizada com glicose hipertônica pura). Ocorre, geralmente, entre 14 e 45 dias após o procedimento. Tratamento com medicação anticoagulante, geralmente ambulatorial. Fatores de risco: trombofilia, TVP prévia, anticoncepcional de alta dose, imobilidade, neoplasia, gestação/puerpério. (Jia et al., 2007 · Guex et al., 2010 · Hamel-Desnos et al., 2011 · Sweetland et al., 2009)
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Necrose cutânea por extravasamento acidental do esclerosante: 0,2 a 1% das pacientes. Lesão pequena, superficial, cicatriza com curativo padrão em 2 a 6 semanas (Guex et al., 2010 · Bergan et al., 2000)
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Alergia leve ao polidocanol (urticária, prurido, eczema de contato): 0,1 a 0,5% das pacientes. Tratada com antialérgicos. A glicose é uma substância incapaz de causar alergias no organismo humano. (Guex et al., 2010 · Rabe et al., 2014)
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Eventos neurológicos transitórios (enxaqueca com aura, sintomas tipo-AIT): <0,5% das pacientes. Associados majoritariamente a forame oval patente, com passagem paradoxal de microbolhas para a circulação arterial. Autolimitados na grande maioria dos casos. Esse evento também é relacionado à liberação de endotelina-1, portanto ocorrendo com mais frequência na escleroterapia com polidocanol e outros detergentes médicos. Não há relatos na literatura científica desse tipo de complicação na escleroterapia realizada com glicose hipertônica pura (Morrison et al., 2008 · Forlee et al., 2006 · Bush et al., 2008)
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Embolia pulmonar: <0,1% das pacientes. (Não há relatos na literatura científica desse tipo de complicação na escleroterapia realizada com glicose hipertônica pura). Necessita medicação anticoagulante e muitas vezes internação hospitalar. A prevenção é feita com meia elástica, movimentação precoce das pernas e uso de anticoagulante preventivo nos casos de risco moderado/alto pelo score de Caprini (Guex et al., 2010 · Hamel-Desnos et al., 2011)
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Anafilaxia (alergia grave com risco à vida): 0,01 a 0,05% das pacientes. Necessita tratamento imediato com adrenalina intramuscular (disponível na nossa clínica) e atendimento de emergência em hospital. Nossa clínica possui contrato com empresa de remoção por ambulância caso necessário. A glicose é uma substância incapaz de causar alergias ou anafilaxia no organismo humano. (Guex et al., 2010 · Rabe et al., 2014)
A escleroterapia dói?
A dor é mínima graças ao resfriamento contínuo da pele durante todo o procedimento. A maioria das pacientes descreve a sensação como pequenas "picadinhas" toleráveis. Não é necessária anestesia. Para pacientes com alta sensibilidade, a clínica oferece analgesia consciente com óxido nitroso como opção.
A escleroterapia deixa manchas?
Manchas escurecidas (hiperpigmentação) podem ocorrer em até 30% dos casos. São causadas por depósito de hemossiderina (pigmento de ferro do sangue) ou por resposta inflamatória da pele.
A boa notícia: 70% desaparecem espontaneamente em 6 meses e 90 a 99% em 12 meses. (Goldman MP, 1995)
A drenagem de coágulos 1 a 3 semanas após a sessão reduz significativamente essa incidência. (Scultetus AH et al, 2003)
Os vasinhos podem voltar?
Vasinhos e varizes têm componente genético importante (até 90% de chance se ambos os pais têm varizes) e por enquanto ainda não possui nenhum tratamento curativo. (Cornu-Thenard A et al, 1994)
O tratamento resolve as veias doentes naquele momento, mas não altera a predisposição genética. Ao longo dos anos, veias que eram saudáveis no momento do tratamento podem se tornar varicosas. Isso não significa que o tratamento falhou — significa que a doença é crônica e progressiva.
A escleroterapia é um bom tratamento para varizes grossas?
Não é o tratamento mais indicado. A escleroterapia líquida funciona bem em vasinhos e veias reticulares finas, mas, para varizes de maior calibre — incluindo a safena —, estudos científicos mostram que a escleroterapia com espuma e as técnicas térmicas (laser endovenoso e radiofrequência) são significativamente mais eficazes.
A razão é simples: em veias grossas, o líquido é rapidamente diluído pelo sangue e perde força de contato com a parede do vaso. A espuma, ao contrário, desloca o sangue e mantém a substância em contato direto e prolongado com toda a circunferência da veia — o que explica a diferença nos resultados.
Uma meta-análise publicada na revista Phlebology comparando as duas técnicas na veia safena encontrou 76,8% de fechamento com espuma contra 39,5% com líquido (Hamel-Desnos & Allaert, 2009).
As diretrizes conjuntas da Society for Vascular Surgery, American Venous Forum e American Vein and Lymphatic Society posicionam a espuma guiada por ultrassom — não a forma líquida — como a escleroterapia indicada para varizes calibrosas (Farah et al., 2021).
Na prática, a escolha do tratamento depende do calibre das veias, da presença de refluxo na safena, dos sintomas e da anatomia individual. Por isso, o ultrassom Doppler e uma avaliação detalhada são indispensáveis antes de qualquer decisão terapêutica.
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular.
Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP).
Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.
Membro do corpo clínico dos principais hospitais de São Paulo como Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês e Hospital Vila Nova Star.
Palestrante em centenas de congressos e eventos nacionais e internacionais
Diretora Científica do Instituto Circular que forma médicos cirurgiões vasculares do mundo todo, que buscam excelência no tratamento das veias.
Conheça as pesquisas científicas da Dra. Juliana


