Termoablação endovenosa com Laser
Tratamento avançado para insuficiência da veia safena, veias perfurantes e varizes grossas.
O que é a termoablação com laser endovenoso?
A termoablação com laser endovenoso é um procedimento minimamente invasivo para fechar veias insuficientes, especialmente a veia safena magna e safena parva. Diferentemente da escleroterapia (que usa químicos) ou da cirurgia convencional (que remove a veia), o laser gera calor interno que danifica termicamente a parede interna do vaso.
O equipamento consiste em um laser de diodo com comprimento de onda 1470nm. A fibra óptica, finíssima (com apenas 0,6 mm de diâmetro), é inserida dentro da veia através de um cateter ultrafino, posicionado sob visualização ultrassonográfica em tempo real. Enquanto a fibra é lentamente puxada ao longo da veia, o laser dispara contínua e precisamente, mantendo uma temperatura interna entre 120°C e 140°C.
Esse calor destrói o colágeno na parede da veia, causando encolhimento e fusão do vaso. O processo é chamado 'trombose térmica controlada': a veia fica obstruída e, ao longo de semanas, é progressivamente absorvida pelo organismo.
Por que é o padrão ouro internacional para o tratamento da veia safena?
Diretrizes de organizações vasculares de todo o mundo (American Venous and Lymphatic Society, American Venous Forum, Society for Vascular Surgery, Europen Society for Vascular Surgery) indicam o laser endovenoso como primeira linha para varizes de safena insuficiente. Os motivos são evidentes:
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Taxa de sucesso superior a 95% em 5 anos — isto é, obstrução permanente da veia.
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Eficácia equivalente à cirurgia convencional (90–99%) — mas muito menos invasiva.
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Resultado muito superior à escleroterapia com espuma — que oferecia amenos de 50% de sucesso em aplicação única.

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Minimamente invasivo: nenhuma incisão grande, nenhuma internação, nenhuma anestesia geral (anestesia local apenas).Retorno rápido à rotina: caminhada no mesmo dia. Retorno imediato às atividades do dia-a-dia e ao trabalho.
Para quem é indicado?
A termoablação com laser endovenoso é indicado para:
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Veia safena magna insuficiente (ou com refluxo presente)
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Veia safena parva insuficiente
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Veia safena anterior insuficiente (antiga veia safena acessória anterior)
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Veias perfurantes insuficientes — especialmente em casos de úlcera varicosa ou dermatite ocre.
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Varizes tributárias de maior calibre
É realizado na clínica ou no Hospital?
A termoablação com laser endovenoso foi idealizada para ser realizada em ambiente ambulatorial, isto é, no próprio consultório do cirurgião vascular. Porém, o paciente ou o cirurgião podem optar por realizar o procedimento em ambiente hospitalar.
A realização da termoablação com laser endovenoso no hospital é necessária em casos em que o paciente possua problemas de saúde graves ou descompensados (ASA III ou superior), necessite de monitorização especial ou maior tempo de observação após o procedimento.
Pode ser optado ainda pelo ambiente hospitalar quando o paciente deseja receber uma sedação mais profunda ou anestesia geral para realizar o procedimento, ou ainda em casos muito extensos, com muitas varizes, em que o tratamento ambulatorial demandaria um número grande de sessões devido à limitação da dose de anestésico local.
Como funciona a termoablação endovenosa com laser na clínica?
1. Mapeamento vascular com Doppler: antes do procedimento, ultrassonografia com Doppler mapeia toda a extensão da veia insuficiente, identifica tributárias patológicas e define a estratégia de tratamento.
2. Preparo do material e paramentação: o procedimento é realizado em sala própria com materiais esterilizados e descartáveis, evitando qualquer contaminação na introdução da fibra óptica no interior da veia. Todas as superfícies, equipamentos e os profissionais que entrarão em contato com a fibra óptica são recobertos por material impermeável estéril antes de iniciar o procedimento.
3. Analgesia consciente com óxido nitroso: imediatamente antes da punção, iniciamos a inalação da mistura de óxido nitroso e oxigênio por meio de máscara auto-administrada pela paciente. O efeito analgésico e ansiolítico se instala em cerca de um minuto, permitindo que a paciente permaneça consciente, colaborativa e conversando durante todo o procedimento, mas com percepção dolorosa significativamente reduzida — especialmente no momento da punção e da infiltração da anestesia tumescente, que são as etapas com maior potencial de desconforto. O óxido nitroso é eliminado pela respiração em poucos minutos após a retirada da máscara e não interfere na deambulação ao final do procedimento.
3. Punção venosa e inserção do cateter introdutor: Após anestesia local e com auxílio do aparelho de ultrassom, a veia é puncionada com agulha finíssima. Um fio-guia passa através da agulha, seguido pelo cateter introdutor, que possui uma válvula que impede o extravasamento do sangue.
4. Posicionamento da fibra óptica: a fibra óptica de laser é inserida através do cateter introdutor, guiada pela veia através da imagem do aparelho de ultrassom e posicionada precisamente no local em que a veia é insuficiente, de acordo com o mapeamento prévio.
5. Anestesia tumescente: o caminho inteiro da veia é infiltrado com solução anestésica local em pequenas quantidades. Isso atinge dois objetivos: anestesia profunda sem necessidade de anestesia geral, e proteção dos tecidos circunjacentes contra o calor do laser.
6. Disparo do laser diodo 1470 nm: guiado pela visualização ultrassonográfica em tempo real, o laser é acionado em potência controlada. Enquanto o cirurgião puxa lentamente a fibra ao longo do vaso (cerca de 1 mm por segundo), o laser dispara continuamente, mantendo a faixa de temperatura (120–140°C) que causa a cauterização térmica da camada interna da veia (endotélio).
7. Retirada da fibra e cateter: ambos são completamente retirados da veia após o procedimento, sendo realizado curativo com fita adesiva esterilizada no local da punção.
8. Compressão: Algodão e meia elástica de compressão (35 mmHg) são aplicados sobre a área tratada. A compressão reduz hematomas e diminui o risco de manchas .
9. Deambulação imediata: logo após o término do curativo e colocação da meia, a paciente já é capaz de ficar em pé, vestir-se e deambular.
O procedimento completo, incluindo todas as etapas acima, tem duração entre 60 e 180 minutos de acordo com a extensão e número de veias tratadas e é realizada na própria clínica em todos os dias e horários de atendimento, de acordo com a disponibilidade de agenda.
O que acontece com a veia após a termoablação com laser?
A ciência já mapeou com precisão cada etapa desse processo — da lesão térmica inicial até a completa absorção do vaso pelo organismo.
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Fase 1 — Lesão térmica imediata (durante o procedimento) - No momento em que o laser é ativado, a fibra óptica emite energia que é absorvida pela parede da veia e pelo sangue residual. Esse processo gera calor intenso e localizado. Estudos demonstram que a alta temperatura na ponta da fibra pode ultrapassar produz uma lesão fototermolítica que atinge toda a espessura da parede venosa (Fan & Rox-Anderson, 2008). A energia térmica provoca desnaturação do colágeno, contração imediata das fibras da parede vascular e colapso do lúmen — ou seja, a veia se fecha sobre si mesma.
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Fase 2 — Morte celular e resposta inflamatória (horas a dias) - Nas primeiras horas após o procedimento, ocorre a morte das células de toda a espessura da veia. A lesão térmica concentra-se inicialmente na camada íntima (revestimento interno) e na porção interna da camada média, com carbonização localizada no ponto de contato da fibra (Corcos et al., 2005, Fan & Rox-Anderson, 2008) Essa fase desencadeia uma resposta inflamatória controlada: o organismo reconhece o tecido lesado e inicia o processo de reparo, com migração de células inflamatórias para o local.
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Fase 3 — Fibrose e remodelamento (semanas a meses) - Com o tempo, o tecido necrótico é gradualmente substituído por fibrose — um tecido cicatricial denso que sela a veia de forma permanente. O vaso, que antes era uma estrutura tubular com fluxo sanguíneo, transforma-se em um cordão fibroso fino, sem função hemodinâmica.
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Fase 4 — Absorção (meses a anos) - Ao longo dos meses seguintes, o organismo reabsorve progressivamente o cordão fibroso residual. Em muitos casos, após 1 a 2 anos, a veia tratada torna-se indetectável ao ultrassom — como se nunca tivesse existido ali. Meta-análises recentes reportam taxas de oclusão (fechamento completo) de 98% no primeiro mês e 94% após um ano de acompanhamento (Jiang et al., 2024).
Como é a recuperação e quais os cuidados pós-sessão?
Uma das principais vantagens do tratamento com laser é a recuperação praticamente imediata. A paciente sai da clínica caminhando normalmente e não precisa de repouso.
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Atividade física leve (caminhada): liberada imediatamente após a sessão.
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Atividade física intensa (academia, corrida): liberado após 5 a 10 dias, dependendo do caso.
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Meia elástica: uma meia com 35 mmHg de compressào 7/8 (altura da raiz da coxa) é colocada imediatamente após a termoablação e permanece na perna até o primeiro retorno após 3 dias. Nesse retorno, a meia 35 mmHG é substituída por uma meia mais fina e elegante com 20–30mmHg. Essa meia deve ser utilizada por 15 a 30 diad, dependendo do caso. Um estudo de metanálise com mais de 1500 pacientes publicado em 2024 mostrou que o uso da meia elástica proporciona maior conforto no pós procedimento e retorno mais rápido às atividades diárias e ao trabalho. (Su L et al, 2024)
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Exposição solar: evitar sol direto na área tratada enquanto houver equimose (roxo). A hemossiderina não é melanina, portanto o sol não causa manchas permanentes, mas a cautela é recomendada durante a fase inflamatória.
Cronograma de acompanhamento completo após termoablação
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Primeiro retorno (após 3 dias) - Nesse retorno são retirados a meia 35 mmHg e os curativos. Realizada monitorização com ultrassom Doppler da junção safeno-femoral ou safeno-poplítea e orientação quando à colocação e uso da meia elástica 20-30 mmHg.
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Segundo retorno (após 20 a 30 dias) - Nesse retorno é realizado um ultrassom Doppler venoso visando visualizar especialmente o sistema venoso profundo, para se certificar que não houve nenhuma complicação, e a veia submetida à termoablação, para se certificar que ela está totalmente ocluída, evidenciando o sucesso total do tratamento. Nesse retorno também já é possível avaliar e tratar pequenas varizes e vasinhos mais superficiais que estejam presentes, de acordo com o plano de tratamento traçado.
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Terceiro retorno (após 1 ano) - Nesse retorno é realizado um ultrassom Doppler venoso de controle final. Nesse ponto, o esperado é que a veia esteja completamente absorvida pelo organismo e já não seja mais visualizada. Aproveitamos também para reavaliar o funcionamento de todas as outras veias, já que a insuficiência venosa crônica é uma doença incurável e progressiva e veias que eram saudáveis no início do tratamento podem ter se tornado varicosas nesse período.
Quais os possíveis efeitos adversos e complicações?
A termoablação endovenosa com laser é considerado um procedimento minimamente invasivo e extremamente seguro. Porém, todo procedimento médico pode apresentar efeitos adversos e complicações, e é importante que a paciente esteja informada.
Comuns e esperados (incidência maior que 10% nos estudos)
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Dor leve a moderada no trajeto da veia tratada: em torno de 50% das pacientes, desaparece após a primeira semana (Pannier et al. 2010)
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Equimoses e hematomas (manchas roxas): 2 a 85% das pacientes, desaparecem após 10 a 14 dias (Kim et al., 2006 · Kim HK et al., 2008 · Schwarz et al., 2010 · Pannier et al, 2010 · Setia et al., 2021)
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Edema (inchaço): 27 a 69% das pacientes, desaparece após 1 a 3 meses (Bozoglan et al, 2016 · Mese et al, 2015 · Zhang et al, 2018 · Puggioni et al, 2005)
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Nuvem telangiectásica/ Matting (microvasos no local onde havia o vaso tratado) - 21,1% das pacientes, necessitam tratamento complementar com escleroterapia (aplicações) ou laser transdérmico. (Borsuk D et al, 2026)
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Induração ou cordão fibroso no local da veia tratada - 20 a 30% das pacientes. É consequência natural do processo de cicatrização, diminui ou desaparece após 3 a 12 meses (Van Den Bos et al, 2009 )
Frequentes (incidência de 5 a 10 % nos estudos)
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Manchas e hiperpigmentação (escurecimento da pele) - 0,14 a 9,75% das pacientes. Quando ocorrem, 70% tendem a desaparecer espontaneamente após 6 meses e 99% após 12 meses. Nos casos persistentes, podem ser utilizados cremes clareadores e laser Q-switched ou picossegundos. (Mazayshvili & Akimov, 2019 · Setia et al, 2022 · Park et al., 2014 · Jiang et al., 2024 · Amshar et al., 2021· Goldman M et al, 1995)
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Flebite superficial- 1% a 9% das pacientes. Necessitam tratamento com compressas frias, pomadas e medicamentos antiinflamatórios. (Kontothanassis et al, 2009 · Zhu et al, 2013)
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Parestesia (dormências e formigamentos) - 0% a 7,3% das pacientes . A grande maioria desaparece espontaneamente após 1 a 6 meses. ( Kontothanassis et al, 2009 · Setia et al., 2022 · Jiang et al.,2024
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Recanalização da veia tratada (falha técnica) - 2 a 5,5% das pacientes. Em alguns casos, a oclusão da veia tratada pode não ser completa e necessitar de tratamento complementar. (Jiang et al, 2024 · Setia et al., 2021)
Raras (incidência menor que 5% nos estudos):
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Trombose venosa profunda (TVP) — 0% a 1,55% das pacientes. Ocorre, geralmente, após 14 a 45 dias após o procedimento. O tratamento é realizado com medicação anticoagulante e geralmente não necessita internação (Mazayshvili & Akimov, 2019 · Jiang et al.,2024 · Chehab et al., 2015 · Sweetland et al., 2009)
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Queimadura de pele — 0% a 0,45%. Mais comum em casos de veias muito próximas à pele. ( Mazayshvili & Akimov, 2019 · Florio et al., 2019 · Setia et al., 2021)
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Infecção local - <1% das pacientes . Necessita tratamento com antibióticos por via oral. (Puggioni et al.,2005 · Cher et al., 2022)
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Seroma (bolinha de líquido linfático) — 0,21% das pacientes. Necessita punção local para retirada do líquido acumulado. (Mazayshvili & Akimov, 2019)
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Alergia ao anestésico local (lidocaína) - 0,01% a 0,97% das pacientes. Devem ser tratados com medicação antialérgica imediatamente. (Bhole et al., 2012)
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Embolia pulmonar — ~0,07% das pacientes. Necessita medicação anticoagulante e muitas vezes internação hospitalar. A prevenção é feita com meia elástica, movimentação das pernas assim que possível e uso de medicação anticoagulante preventiva nos casos de risco moderado e alto pelo score de Caprini e tratamento das tromboses assim que detectadas. ( Mazayshvili & Akimov, 2019 · Puggioni et al., 2005)
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Fragmentação / retenção de fibra do laser — ~0,14% das paciente. Evento técnico raro, relacionado a dobras ou falha mecânica da fibra. (Mazayshvili & Akimov, 2019 · Van Den Bos et al.,2009)
É seguro realizar a termoablação com laser da veia safena na clínica?
Sim. É a termoablaçao endovenosa com laser é um dos procedimentos mais estudados da flebologia, com mais de duas décadas de evidência científica. Na maior parte dos estudos científicos realizados, os procedimentos foram feitos em ambiente ambulatorial, sem necessidade de internação hospitalar. Em grande parte dos países desenvolvidos, em especial nos Estados Unidos, esse procedimento é realizado no próprio consultório do cirurgião vascular.
As complicações mais graves desse tipo de procedimento — trombose venosa profunda e tromboembolismo pulmonar — são raras e, quando ocorrem, podem se manifestar desde os primeiros dias até aproximadamente 30 dias após o procedimento, quando a paciente já está em casa. (Healy DA et al., 2018) Por isso há a necessidade de acompanhamento frequente com ultrassom Doppler após 3 e 30 dias do procedimento, para detectarmos coágulos (trombos) presentes nas veias, mesmo quando estes ainda não estão causando sintomas.
Além disso, a nossa clínica possui equipamento completo e equipe treinada para o atendimento de emergências, incluíndo desfibrilador e material de reanimação, assim como contrato permanente com empresa de ambulâncias para remoção da paciente para os hospitais próximos em caso de emergência.
Tecnologia utilizada na clínica Dra Juliana Puggina
A clínica conta com equipamentos de última geração para a realização desse procedimento:
• Laser Pioon (Diodo 1470 nm): equipamento de última geração para ablação térmica endovenosa .
• VeinViewer (realidade aumentada): projeta o mapa das veias sobre a pele em tempo real, permitindo visualização precisa de veias nutrizes invisíveis a olho nu
• Ultrassom Sonosite: ultrassonografia de alta resolução para mapeamento vascular completo antes e após o procedimento
• Rotamix Automático Morya: aparelho usado na analgesia consciente com óxido nitroso. oferece precisão e facilidade de uso, a regulagem da porcentagem de Óxido Nitroso e Oxigênio é ajustado automaticamente por um único botão de controle.
As varizes podem voltar após a termoablação com laser?
A veia safena tratada, em si, apresenta taxas de oclusão mantida superiores a 90–94% em 5 anos, com recanalização (reabertura) em apenas cerca de 6 a 10% dos casos nesse período.¹² Ou seja: a veia tratada costuma permanecer fechada. O que pode retornar não é, na maior parte das vezes, a mesma veia — são novas varizes, desenvolvidas em outros territórios venosos ainda saudáveis no momento do tratamento, resultado da progressão natural da doença venosa crônica.
No maior ensaio clínico randomizado com seguimento de 5 anos (Rasmussen et al., 2017), a taxa de reaparecimento clínico de varizes após termoablação foi de aproximadamente 30 a 40% — comparável à taxa da cirurgia convencional de safenectomia (≈35%) e sem diferença estatística entre as técnicas (Kheirelseid EAH, 2018) . Essa é uma informação que nenhum método de tratamento de varizes consegue contornar: a doença venosa é crônica e progressiva, e nenhum procedimento a cura definitivamente. A termoablação trata com alta eficácia o segmento insuficiente no momento do procedimento, mas não impede que outras veias se tornem insuficientes no futuro.
Por isso, o acompanhamento clínico periódico — com exame físico e ultrassonografia vascular de controle ao longo dos anos — é parte essencial do tratamento, e não um sinal de falha. Quando há recidiva, ela costuma ser mais leve do que o quadro inicial e tratável por procedimentos minimamente invasivos complementares (espuma, microflebectomia ou nova termoablação em outro território), sem necessidade de recomeçar do zero.
Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular.
Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP).
Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.
Membro do corpo clínico dos principais hospitais de São Paulo como Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês e Hospital Vila Nova Star.
Palestrante em centenas de congressos e eventos nacionais e internacionais
Diretora Científica do Instituto Circular que forma médicos cirurgiões vasculares do mundo todo, que buscam excelência no tratamento das veias.
Conheça as pesquisas científicas da Dra. Juliana


