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Realidade aumentada Vein Viewer

A tecnologia de infravermelho que torna o invisível visível durante o tratamento de varizes

O Vein Viewer é um equipamento que utiliza luz infravermelha de baixa intensidade para projetar, em tempo real e diretamente sobre a pele, um mapa das veias subcutâneas que estão logo abaixo da superfície. Para o tratamento de vasinhos e varizes reticulares, isso significa enxergar o que o olho humano não consegue ver: as pequenas veias nutridoras que alimentam as microvarizes visíveis. O resultado é mais precisão na agulha, menos injeções perdidas, menos hematomas e melhor resultado estético. É uma tecnologia complementar — não substitui o ultrassom Doppler — e é usada rotineiramente na nossa clínica nas sessões de escleroterapia, espuma e laser transdérmico/CLaCS.

O que é o Vein Viewer?

O Vein Viewer é um dispositivo óptico desenvolvido especificamente para visualização venosa de superfície. Ele emite uma luz infravermelha inofensiva em direção à pele, capta o padrão de absorção dessa luz pela hemoglobina do sangue dentro das veias e projeta de volta, no mesmo instante, uma imagem em alta definição do mapa venoso — diretamente sobre a região examinada.

Na prática, a paciente enxerga, sobre sua própria pele, o traçado das veias que ali correm. Para a médica, é como se a pele se tornasse transparente: passa a ser possível ver e seguir veias que, a olho nu, estão completamente ocultas.

 

A tecnologia não substitui o ultrassom Doppler — que avalia o fluxo, a profundidade e a hemodinâmica das veias, incluindo as mais profundas.

O vein viewer é fundamental para o mapeamento completo das varizes e vasinhos. Dra. Juliana Puggina realiza em SP

O Vein Viewer atua em outro nível: ele enxerga vasos superficiais (até cerca de 10 milímetros de profundidade) e é especialmente útil durante os procedimentos, quando precisão milimétrica na agulha faz diferença no resultado.

Como funciona: a física por trás da tecnologia

A hemoglobina, proteína presente nos glóbulos vermelhos do sangue, absorve luz infravermelha em um comprimento de onda específico. Quando o Vein Viewer projeta luz infravermelha sobre a pele, os tecidos ao redor refletem essa luz, mas o sangue dentro das veias a absorve.

Um sensor óptico dentro do equipamento capta o contraste entre as áreas que refletiram e as que absorveram a luz, identificando precisamente onde estão as veias. Um projetor de alta definição, acoplado ao sensor, devolve essa imagem no mesmo ponto e em tempo real, sobre a pele da paciente.

Três aspectos importantes:

  • A luz utilizada é não-ionizante e inócua: é a mesma faixa do espectro de controles remotos e câmeras de visão noturna. Não causa queimadura, aquecimento ou efeito biológico.

  • Sem contato físico: o equipamento fica a uma distância de centímetros da pele. Não há pressão, não há toque.

  • Visualização dinâmica: conforme a paciente se movimenta ou a médica manipula a região, a imagem se ajusta no mesmo instante. Não há delay.

Por que isso muda o resultado do tratamento de vasinhos?

 

Os vasinhos visíveis na superfície (telangiectasias) quase nunca são lesões isoladas. Na imensa maioria dos casos, são alimentados por veias nutridoras — pequenas veias reticulares azuladas, logo abaixo da pele, que funcionam como "canos" trazendo pressão venosa até os vasinhos visíveis.

Tratar apenas o vasinho que se vê, sem tratar a veia nutridora, é o equivalente a limpar a água do chão sem fechar o cano que vaza. O vasinho retorna em semanas, às vezes em poucos dias.

O problema é que essas veias nutridoras nem sempre são visíveis a olho nu, especialmente em pacientes com pele clara-opaca, gordura subcutânea mais espessa ou veias de menor calibre. É aí que o Vein Viewer se torna decisivo: ele torna visível exatamente aquilo que precisa ser tratado para que o resultado dure.

Durante a sessão de escleroterapia, laser transdérmico ou CLaCS, a tecnologia permite:

  • Rastrear a veia nutridora que alimenta o vasinho e tratá-la no mesmo ato.

  • Escolher o ponto ideal de punção com agulha finíssima, reduzindo tentativas e desconforto.

  • Confirmar a posição da agulha dentro do vaso antes da injeção, reduzindo extravasamento.

  • Evitar punções em áreas de vasos tortuosos ou malformações não visíveis.

  • Ajustar a estratégia em tempo real durante a própria sessão.

O Vein Viewer garante que os vasinhos não voltem?

 

Não. Nenhuma tecnologia elimina a predisposição genética à insuficiência venosa, que é a causa primária das varizes. O que o Vein Viewer faz é aumentar a qualidade técnica da sessão, tratando também as veias nutridoras — o que tende a prolongar a duração do resultado em comparação a sessões em que apenas o vaso visível é injetado.

Por que nem todas as clínicas usam? 

 

Porque é um equipamento relativamente novo, de custo elevado e que exige treinamento específico para ser incorporado à prática de escleroterapia. Muitas clínicas ainda trabalham apenas com inspeção visual, o que limita a visualização das veias nutridoras.

Há contraindicações ao uso do Vein Viewer?

Não para o equipamento em si, já que ele é óptico e não invasivo. As contraindicações dizem respeito ao procedimento (a escleroterapia em si): gestação, trombose venosa aguda, alergia ao esclerosante, entre outras, que são avaliadas na consulta e no Doppler prévios.

O Vein Viewer substitui o Doppler?

Não, em hipótese alguma. São tecnologias com propósitos diferentes. O ultrassom Doppler avalia o sistema venoso por inteiro — incluindo veias profundas, fluxo, refluxo, trombose — e é a base do diagnóstico e do planejamento. O Vein Viewer enxerga apenas veias superficiais e não informa nada sobre fluxo. É um guia de execução, não um exame diagnóstico.

Sobre a autora

 

Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular. 

 

Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP).

 

Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.

 

Membro do corpo clínico dos principais hospitais de São Paulo como Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês e Hospital Vila Nova Star.

Palestrante em centenas de congressos e eventos nacionais e internacionais

Diretora Científica do Instituto Circular que forma médicos cirurgiões vasculares do mundo todo, que buscam excelência no tratamento das veias. 

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