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Veia safena: tudo o que existe para tratar

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    Juliana Puggina
  • há 2 dias
  • 7 min de leitura

Atualizado: há 19 horas

A veia safena magna é a maior veia superficial da perna. Quando ela funciona bem, drena o sangue dos vasos menores de volta para o coração. Quando tem insuficiência, o sangue faz o caminho oposto, a pressão dentro do sistema venoso aumenta e isso alimenta o aparecimento e a progressão das varizes.


Cirurgia de safenectomia: passagem do fleboextrator pela veia safena, com marcação prévia do trajeto venoso na pele. Procedimento realizado pela Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular em São Paulo.
Por muitos anos, a cirurgia da safena envolvia a retirada da veia de forma tradicional, através de cortes na pele e tração da veia.

Nos últimos vinte anos, o tratamento da safena doente mudou de forma significativa. Hoje existem cinco técnicas principais, com perfis de eficácia, recuperação e indicação diferentes. Antes de qualquer decisão, é necessário um ultrassom Doppler venoso para mapear exatamente o que está acontecendo dentro da veia. Sem esse exame, qualquer tratamento é tecnicamente possível, mas estrategicamente cego.

Nesse artigo, explico cada uma das técnicas disponíveis.



1. Safenectomia convencional — a técnica clássica


É a técnica mais antiga, descrita em 1902. Fazemos duas incisões: uma na virilha (próximo à junção safeno-femoral) e outra perto do joelho ou do tornozelo, dependendo do segmento a ser tratado. A veia é desconectada e retirada com um instrumento chamado fleboextrator.

Funciona? Sim — mais de 100 anos de evidência clínica respaldam o método. A safenectomia continua sendo realizada em situações específicas. O ponto de atenção é o perfil de recuperação: incisões maiores, dor pós-operatória mais expressiva, e retorno a atividades normais em 2 a 4 semanas.

Hoje ela perdeu espaço para as técnicas endovenosas minimamente invasivas — que conseguem o mesmo objetivo com uma recuperação muito mais rápida.


2. Ablação por laser endovenoso (EVLA)


É a técnica que mais utilizo no consultório. Através de uma punção com agulha fina, uma fibra ótica é introduzida dentro da safena, guiada por ultrassom. O laser libera energia em comprimento de onda específico, que aquece a parede interna da veia e provoca seu fechamento permanente. Detalhes técnicos desse tratamento estão na página Laser para Veia Safena.


Fibra óptica do laser para tratamento da veia safena, com luz-guia ligada antes do procedimento. Tratamento minimamente invasivo realizado pela Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular em São Paulo.
Fibra óptica utilizada na ablação térmica com laser de varizes

Características clínicas da técnica:

•       Punção mínima (1–2 mm) — sem necessidade de pontos visíveis

•       Realizada sob anestesia local com sedação leve, em regime ambulatorial (pode ser realizada também em ambiente hospitalar com raquianestesia ou anestesia geral).

•       Dor pós-operatória habitualmente baixa

•       Retorno ao trabalho e atividades diárias após 24 h

•       Retomada de atividades físicas leves em 5 a 7 dias, conforme orientação individualizada

•       Cicatrizes discretas: a punção quase não deixa marcas


A eficácia da técnica está bem documentada na literatura há quase 20 anos. A primeira metanálise com os estudos comparativos entre as diferentes técnicas, publicada por  van den Bos e colaboradores em 2009 no Journal of Vascular Surgery, demonstrou taxa de oclusão sustentada de 94,9% em cinco anos para o laser endovenoso — superior à escleroterapia com espuma (73,5%) no mesmo período. (leia o artigo na íntegra aqui)


A grande vantagem do laser endovenoso é sua versatilidade. A mesma fibra optica utilizada para o tratamento da veia safena, também pode ser utilizada para o tratamento de veias perfurantes e outras varizes das pernas. Isso torna possível o tratamento minimamente invasivo completo do membro afetado.


3. Radiofrequência (RF) — a “prima” do laser


O princípio é parecido com o do laser, mas a fonte de energia é diferente: são ondas de rádio. Um cateter especial é introduzido dentro da safena e aquece sua parede até cerca de 120 °C de forma controlada, em segmentos de 7 cm. O resultado é equivalente ao do laser: a veia se fecha e o refluxo cessa.


Eficácia e segurança são, na maioria dos estudos comparativos, equiparáveis às do laser.


Ablação por radiofrequência da veia safena em andamento: introdutor e cateter de radiofrequencia posicionados na veia safena com mapeamento ultrassonográfico da safena marcada na pele. Procedimento realizado pela Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular em São Paulo.
Cateter de radiofrequência inserido na veia safena magna durante o procedimento.

Uma metanálise publicada em 2024 (Jiang e cols., J Vasc Surg Venous Lymphat Disord), com 7.877 pernas tratadas, mostrou taxas de oclusão equivalentes entre as duas técnicas. A radiofrequência apresentou perfil mais favorável em alguns desfechos: menor dor pós-operatória (nos primeiros 3 e entre 7 e 10 dias), menor parestesia (dormência no trajeto da veia ou no tornozelo), e menos equimoses (manchas roxas) e queimaduras. Em contrapartida, a mesma metanálise mostrou risco aumentado de hiperpigmentação

cutânea após a radiofrequência. (Leia o artigo na íntegra aqui)


A escolha entre uma e outra depende da anatomia da paciente, do diâmetro do vaso, do equipamento disponível e da experiência do cirurgião.


4. Ablação mecanoquímica — a técnica híbrida


Combina dois mecanismos em um único cateter: enquanto provoca microlesões mecânicas na parede da veia (através de garras metálicas ou por rotação em alta frequência), libera simultaneamente um agente esclerosante (geralmente polidocanol em espuma). O dano é, portanto, mecânico e químico ao mesmo tempo.


 Cateter de ablação mecanoquimica Flebogrif com garras que provocam microlesões na parede da veia safena enquanto libera simultaneamente espuma esclerosante de polidocanol. Por Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular em São Paulo.
Cateter Flebogrif ® utilizado na ablação mecanoquímica da veia safena

É uma alternativa interessante para pacientes em que se prefere evitar o uso de calor (laser ou RF), por exemplo em segmentos da safena muito próximos a estruturas nervosas.


Porém, as taxas de oclusão em cinco anos são muito inferiores ao laser e à radiofrequência. O LAMA trial, estudo publicado no European Journal of Vascular & Endovascular Surgery em 2025, mostrou que apenas 47% das veias safenas tratadas com MOCA permaneceram ocluídas após 5 anos, contra 91% dos pacientes tratados com laser endovenoso, uma diferença de 44% (leia o artigo na íntegra aqui).


5. Colagem de veia (cianoacrilato) — a tecnologia mais recente


Essa é a novidade do nosso arsenal terapêutico. Um cateter libera, em pontos sequenciais dentro da safena, microvolumes de uma cola médica (cianoacrilato) que adere às paredes do vaso e o fecha. Não há aquecimento, e a tumescência (anestesia local extensa ao longo do trajeto da veia) deixa de ser necessária.


Pontos clínicos relevantes:

•       Não utiliza energia térmica — risco zero de lesão de estruturas ao redor da veia

•       Procedimento mais curto e com retorno às atividades habitualmente ainda mais rápido

•       Útil em pacientes com contraindicação ao calor ou que não toleram tumescência

•       Custo do material adesivo é mais elevado, o que se reflete no valor final do procedimento

 

As séries publicadas mostram taxas de oclusão de 91,4% em seguimentos de até cinco anos, equivalente às ablações térmicas com laser e radiofrequência. (leia o artigo na íntegra aqui)


Essa opção de tratamento ainda não está disponível no Brasil.


Qual técnica é a mais indicada?


Não há uma resposta única. A indicação depende de diversos fatores: o diâmetro e o trajeto da safena no Doppler, a presença de varizes tributárias volumosas, comorbidades, expectativa de recuperação e, em alguns casos, preferência da paciente.


Como cirurgiã vascular dedicada exclusivamente à flebologia, minha preferência clínica majoritária é pelas técnicas térmicas endovenosas (laser e radiofrequência), pelo equilíbrio entre eficácia comprovada de longo prazo, recuperação rápida e custo-benefício. A colagem fica reservada a indicações específicas. A safenectomia convencional, hoje na minha clínica, é exceção.


Mas essa é uma discussão que sempre acontece com cada paciente, após o Doppler, frente ao mapa real da circulação dela.



Quer entender qual técnica faz sentido para o seu caso?

A escolha começa pelo Doppler. Agende sua consulta com a Dra. Juliana Puggina — Atendimentos exclusivamente na Vila Nova Conceição, São Paulo.

 


E depois da safena, o que mais é preciso?


Tratar a safena resolve a causa do refluxo, mas raramente é a única etapa. A maioria das pacientes ainda apresenta varizes tributárias (colaterais) visíveis na pele, que são abordadas por microflebectomia — pequenas incisões com agulha por onde as varizes são retiradas — ou por escleroterapia com espuma, a depender do calibre e da topografia das veias.


Os vasinhos finos da pele costumam ficar para uma etapa posterior, geralmente em consultório, com escleroterapia ou laser transdérmico. O tratamento completo é planejado em fases — não em uma sessão única.


E se eu optar por não tratar a safena?


Por muito tempo, a doutrina clássica em flebologia foi de que tratar apenas as varizes visíveis, sem abordar a safena insuficiente, seria inadequado — porque o refluxo da safena continuaria "alimentando" o sistema, e as varizes voltariam rapidamente.

 

Essa visão vem sendo revista pela literatura. Estudos publicados a partir dos anos 2000 mostraram que, em casos selecionados, a remoção apenas das varizes tributárias dilatadas (com preservação da safena) pode levar à redução, ou até desaparecimento, do refluxo na própria safena em. casos selecionados. Essa abordagem foi sistematizada pelo grupo do Professor Pittaluga sob o nome de método ASVAL (Ambulatory Selective Varices Ablation under Local anaesthesia).

 

No estudo prospectivo de Pittaluga e colaboradores (publicado em 2010), 55 pernas com refluxo confirmado da safena magna foram tratadas apenas com flebectomia das tributárias incompetentes, conservando a safena. Um mês após o procedimento, o refluxo deixou de ser considerado patológico em 64% das pernas, o diâmetro da safena reduziu em todos os níveis medidos, e 82% das pacientes ficaram assintomáticas. O retorno às atividades habituais ocorreu, em média, em pouco mais de dois dias. (leia o artigo na íntegra aqui)

 

Na prática, com o Doppler na mão, hoje há dois caminhos:

 

1.     Tratamento direto da safena — laser, radiofrequência ou cola — associado ao tratamento das tributárias. É o caminho com maior corpo de evidência de longo prazo, e é o que indico como primeira escolha para a maioria das pacientes.

 

2.     Preservação da safena com tratamento apenas das tributárias (ASVAL) — opção considerada em casos selecionados: safena com diâmetro menor que 8 mm, refluxo segmentar (sem atingir o tornozelo), doença em fases mais iniciais, ou desejo da paciente de preservar a safena (que pode, no futuro, ser utilizada como enxerto vascular).

 

A decisão entre os dois caminhos não é "uma melhor que a outra". É individualizada, baseada no mapa do Doppler e na expectativa da paciente: estabilidade máxima de longo prazo (caminho 1), ou preservação anatômica com possibilidade de re-tratamento futuro de novas tributárias (caminho 2).


Referências


  1. van den Bos R, Arends L, Kockaert M, Neumann M, Nijsten T. Endovenous therapies of lower extremity varicosities: A meta-analysis. J Vasc Surg. 2009;49(1):230-239. [DOI]


  2. Jiang W, Liang Y, Long Z, Hu M, Yang H, Qin X. Endovenous radiofrequency ablation vs laser ablation in patients with lower extremity varicose veins: A meta-analysis. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2024;12(5):101842. [DOI]


  3. Lim AJM, Mohamed A, Leung C, Smith G, Chetter I, Carradice D. Editor's Choice — Five Year Follow Up of a Randomised Clinical Trial of Endovenous Laser Ablation versus Mechanochemical Ablation for Superficial Venous Incompetence (LAMA trial). Eur J Vasc Endovasc Surg. 2025;70(3):367-374. [DOI]


  4. Morrison N, Gibson K, Vasquez M, Weiss R, Jones A. Five-year extension study of patients from a randomized clinical trial (VeClose) comparing cyanoacrylate closure versus radiofrequency ablation for the treatment of incompetent great saphenous veins. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2020;8(6):978-989. [DOI]


  5. Pittaluga P, Chastanet S, Locret T, Barbe R. The Effect of Isolated Phlebectomy on Reflux and Diameter of the Great Saphenous Vein: A Prospective Study. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2010;40(1):122-128. [DOI]


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Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular PhD pela USP, especialista em varizes, com clínica na Vila Nova Conceição em São Paulo

Sobre a autora


Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.


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