top of page

Laser transdérmico ou escleroterapia: qual é o melhor tratamento para vasinhos?

  • Foto do escritor: Juliana Puggina
    Juliana Puggina
  • há 19 horas
  • 7 min de leitura

Se você já pesquisou sobre tratamento de vasinhos, provavelmente encontrou duas opções principais: escleroterapia (injeção de medicamento dentro do vasinho) e laser transdérmico (luz que atravessa a pele e fecha o vaso). A pergunta que todo mundo faz é: qual dos dois funciona melhor?


Laser transdérmico Nd:YAG 1064 sendo aplicado em uma microvariz, com auxílio da realidade aumentada (luz verde) e do resfriador de pele (dispositivo laranja). Por Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular em São Paulo.
Laser transdérmico Nd:YAG 1064 sendo aplicado em uma microvariz, com auxílio da realidade aumentada (luz verde) e do resfriador de pele (dispositivo laranja)

A resposta não é tão simples quanto parece. Existem estudos científicos sérios comparando os dois métodos, e a conclusão pode surpreender: o melhor tratamento pode ser usar os dois juntos.


Neste artigo, vou explicar o que a ciência diz sobre cada método, quando cada um é mais indicado, e por que as técnicas combinadas (ClaCS e LaAF) têm se mostrado tão promissoras.


Como funciona cada tratamento?


Escleroterapia é a injeção de um medicamento (como polidocanol ou glicose hipertônica) diretamente dentro do vasinho. Esse medicamento danifica a parede interna do vaso, causando uma inflamação controlada que leva ao fechamento e à absorção daquela veia pelo organismo. É uma técnica usada há mais de 100 anos e continua sendo o método mais utilizado no mundo.


Laser transdérmico funciona de forma diferente. Um feixe de luz com comprimento de onda específico (geralmente 1064 nm, do laser Nd:YAG) atravessa a pele sem danificá-la e é absorvido pela hemoglobina dentro do vaso. Isso gera calor suficiente para destruir a parede do vasinho. Não há agulha, não há injeção — apenas a luz fazendo o trabalho.

O laser Nd:YAG 1064 nm é o mais utilizado para vasinhos de membros inferiores porque seu comprimento de onda penetra mais fundo na pele (até 4 mm) e tem menor absorção pela melanina, o que o torna mais seguro para diferentes tons de pele.


Aplicação de glicose em telangiectasia na face lateral da coxa. Tratamento de escleroterapia realizado pela Dra. Juliana Puggina cirurgiã vascular de São Paulo.
A escleroterapia é realizada através de injeções de medicamentos nas veias varicosas.

O que os estudos científicos mostram?


Um dos primeiros estudos comparativos entre as duas técnicas foi publicado em 2002 por Lupton e Alster. Eles testaram 20 pacientes e cada um recebeu escleroterapia em uma perna e laser Nd:YAG na outra. Resultado: a escleroterapia produziu melhora clínica mais rápida, mas após 3 meses não houve diferença significativa entre os dois métodos. Os autores concluíram que a escleroterapia "continua oferecendo efeito clínico superior na maioria dos casos", mas que o laser é ideal para pacientes com medo de agulha, alergia a esclerosantes ou matting (surgimento de novos microvasinhos após o tratamento). (leia o artigo na íntegra aqui)


Munia e colegas publicaram em 2012 um estudo realizado no Hospital das Clínicas da USP, com 30 mulheres. Na avaliação fotográfica por observadores independentes, o laser teve melhor resultado no desaparecimento dos vasinhos que a escleroterapia. Porém, o laser foi muito mais doloroso: 66% das pacientes classificaram como "muito doloroso", enquanto 86% consideraram a escleroterapia apenas "levemente dolorosa". A satisfação foi maior com escleroterapia (60% completamente satisfeitas vs 40% com laser). Nenhuma paciente desenvolveu hiperpigmentação com qualquer dos métodos. (leia o artigo na íntegra aqui)


Em 2015 foi publicado um outro estudo randomizado com 56 pacientes que também mostrou que o sucesso no desaparecimento dos vasinhos foi equivalente entre os dois métodos e que o laser foi mais doloroso. Um achado interessante desse estudo fou que a hiperpigmentação foi significativamente menor com laser (39%) do que com escleroterapia (67%). Essa é uma vantagem real do laser em pacientes propensas a manchar. (leia o artigo na íntegra aqui)


Mais recentemente, em 2024, Baldaia e colegas publicaram uma revisão sistemática, incluindo 26 artigos e 1.991 pacientes. Conclusão: as taxas de clearance entre laser Nd:YAG e escleroterapia são similares, sem diferenças significativas. A escleroterapia é menos dolorosa e gera melhora mais rápida. O laser teve resultados melhores em vasos com menos de 1 mm de diâmetro em dois estudos. (leia o artigo na íntegra aqui)


Quando escolher escleroterapia ou laser para vasinhos?


A escleroterapia isolada é a melhor escolha quando:

•       O custo é um fator importante (escleroterapia é significativamente mais barata)

•       A paciente tem baixa tolerância à dor (todos os estudos confirmam que o laser dói mais)

 

O laser transdérmico é preferível quando:

•       A paciente tem medo de agulha

•       Há alergia documentada a esclerosantes

•       Os vasinhos são muito finos (menos de 1 mm), difíceis de puncionar com agulha

•       Apareceu matting (novos microvasinhos) após escleroterapia prévia

•       A paciente tem tendência forte a hiperpigmentação pós-procedimento


A combinação que muda o jogo: ClaCS e LaAF


Se laser e escleroterapia isolados são equivalentes, por que não usar os dois juntos? Essa é exatamente a proposta do CLaCS (Cryo-Laser and Cryo-Sclerotherapy), uma técnica desenvolvida no Brasil que combina laser Nd:YAG com escleroterapia com glicose, usando resfriamento da pele para proteção (leia o artigo de descrição da técnica na íntegra aqui) e do LaAF (Laser After Foam), uma técnica desenvolvida por um grupo espanhol, que combina a aplicação da espuma de polidocanol e o laser Nd:YAG.


As principais diferenças entre esses dois métodos são:


-       Ordem de aplicação: no CLaCS o laser é aplicado antes da escleroterapia e no LaAF o laser é aplicado depois da injeção.

-       Tipo de esclerosante: no CLaCS é utilizada a glicose hipertônica a 75% (açúcar extremamente concentrado) e no LaAF é utilizada a espuma de polidocanol a 0,5%.


O princípio lógico do ClaCS é: o laser provoca vasoespasmo (contração do vaso) e aquecimento da hemoglobina, e imediatamente depois injeta-se o esclerosante naquele vaso já "preparado".


Já o LaAF se baseia em estudos de física médica que mostraram que o laser 1064 nm tem absorção ainda maior quando incide sobre espuma de esclerosante do que sobre sangue puro, potencializando o efeito. (leia o artigo na íntegra aqui)


E os números são impressionantes.


Moreno-estudo de Moraga e colegas (2014) conduziram o maior estudo randomizado sobre LaAF: 517 pernas, com follow-up de 3 anos. Compararam polidocanol em espuma + laser Nd:YAG versus polidocanol sozinho. Após 3 anos, o desaparecimento dos vasinhos e microvarizes foi de 89-95% no grupo combinado versus apenas 15-18% no grupo escleroterapia isolada. 86% dos pacientes ficaram satisfeitos ou muito satisfeitos. Sem efeitos adversos inesperados. É uma diferença abismal. (leia o artigo na íntegra aqui)


Perna com varizes e vasinhos em grabnde quantidade antes do tratamento com aplicação de espuma de polidocanol associado a laser trasndérmico Nd:YAH 1064nm. Resultado após o tratamento mostrando redução expressiva das veias varicosas.
Antes e depois publicado no artigo científico de Moreno-Moraga J et al (2014)

Recentemente, em 2024, Nasser e colegas publicaram no Journal of Vascular Surgery o maior estudo randomizado comparando CLaCS diretamente com escleroterapia isolada: 392 pacientes. Após 3 sessões, a taxa de eliminação completa dos vasinhos e microvarizes foi de 100% no grupo CLaCS versus 85,3% na escleroterapia. O CLaCS também teve significativamente menos pigmentação e complicações. (leia o artigo na íntegra aqui)


Por que investigar antes de tratar é tão importante?


Um estudo recente de Shchukin (2026), com 354 mulheres que tinham vasinhos persistentes após tratamento prévio de varizes, mostrou que 78% delas tinham duas ou mais fontes de refluxo venoso detectáveis ao Doppler — ou seja, o problema não era estético, era hemodinâmico. Quando essas fontes foram corrigidas primeiro e só depois o tratamento estético foi realizado (com CLaCS), 83% tiveram resultado bom ou excelente.

Isso confirma algo que repito sempre em consulta: tratar vasinhos sem avaliar a circulação por Doppler é como pintar uma parede com infiltração. Pode ficar bonito por algumas semanas, mas o problema volta. (leia o artigo na íntegra aqui)


Conclusão


Para telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares (microvarizes) de membros inferiores, a escleroterapia isolada permanece o tratamento mais custo-efetivo e menos doloroso. O laser Nd:YAG isolado é equivalente em eficácia, possivelmente superior em vasos muito finos (<1 mm), com menos hiperpigmentação, mas é mais doloroso e mais caro.


A evidência de maior peso científico — estudos randomizados com centenas de pacientes e follow-up de até 3 anos — mostra que a combinação laser + escleroterapia (CLaCS) supera ambos os métodos isolados, com taxas de eliminação próximas de 100% e menor incidência de complicações.


O ponto mais importante: antes de escolher qualquer técnica, a avaliação com Doppler e realidade aumentada (VeinViewer) é indispensável. Sem corrigir a causa hemodinâmica, nenhum tratamento estético dará resultado duradouro.


Espero que este artigo tenha tirado suas dúvidas! Se quiser saber mais, dá uma olhadinha nos outros posts do blog. Um abraço e até a próxima!

 

Referências científicas


  1. Lupton JR, Alster TS (2002). Clinical comparison of sclerotherapy versus long-pulsed Nd:YAG laser treatment for lower extremity telangiectases. Dermatol Surg. DOI: 10.1046/j.1524-4725.2002.02029.x

  2. Munia estudo de MA e colegas (2012). Comparison of laser versus sclerotherapy in the treatment of lower extremity telangiectases: a prospective study. Dermatol Surg. DOI: 10.1111/j.1524-4725.2011.02226.x

  3. Parlar estudos científicos (2015). Treatment of lower extremity telangiectasias in women by foam sclerotherapy vs. Nd:YAG laser. J Eur Acad Dermatol Venereol. DOI: 10.1111/jdv.12627

  4. Baldaia estudos científicos (2024). Long-pulsed 1064nm Nd:YAG laser in the treatment of leg veins: Systematic review. Vascular. DOI: 10.1177/17085381241236587

  5. Miyake R K e colegas (2020). State of the art on cryo-laser cryo-sclerotherapy in lower limb venous aesthetic treatment. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. DOI: 10.1016/j.jvsv.2020.01.003

  6. Smarandache A. Laser beams interaction with polidocanol foam: molecular background. Photomedicine and laser surgery. 2012;30(5):262-7. DOI: 10.1089/pho.2011.3187

  7. Moreno-Moraga estudos científicos (2014). 1064 nm Nd:YAG long pulse laser after polidocanol microfoam injection dramatically improves the result of leg vein treatment: a randomized controlled trial on 517 legs with a three-year follow-up. Phlebology. DOI: 10.1177/0268355513502786

  8. Nasser estudo de MM e colegas (2024). A comparative study between cryo-laser cryo-sclerotherapy and sclerotherapy in the treatment of telangiectasia and reticular veins: A randomized controlled trial. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. DOI: 10.1016/j.jvsv.2024.101874

  9. Shchukin S. Subclinical varicose vein recurrence: modern approaches in aesthetic phlebology. Jornal Vascular Brasileiro 2026; 25. DOI: 10.1590/1677-5449.202501622

__________________________________

Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular PhD pela USP, especialista em varizes, com clínica na Vila Nova Conceição em São Paulo

Sobre a autora


Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.


Agende uma Consulta!

Rua Dr. Sodré 122 cj. 64

Vila Nova Conceição - São Paulo/SP

Telefone 11 4118 0164

Whatsapp 11 99717 0557


Comentários


Agende uma consulta 

11 4118 0164

11 99717 0557

Rua Dr. Sodré, 122 - cj. 64

​Vila Nova Conceição - São Paulo/SP

​​

Estacionamento com manobrista

Fale com a equipe de atendimento da Dra. Juliana Puggina

Contato

Tel: 11 4118 0164

Whatsapp: 11 99717 0557

contato@julianapuggina.com.br

Rua Dr. Sodré 122 cj 64 -

Vila Nova Conceição - São Paulo/SP

CEP: 04535-110

Horário de Funcionamento

Segunda a sexta 09 às 19h

As informações contidas nesse site têm caráter informativo e educacional. O seu conteúdo jamais deverá ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, o profissional médico deverá ser consultado, pois, somente ele está habilitado para praticar o ato médico, conforme recomendação do Conselho Federal de Medicina.

Siga a Dra. Juliana nas Redes Sociais

  • Instagram Dra. Juliana Puggina
  • Canal da Dra. Juliana Puggina YouTube
  • Fanpage Facebook Dra. Juliana Puggina
  • LinkedIn da Dra. Juliana Puggina

Responsável Técnico

Dra. Juliana Puggina

CRM -SP 134.963 - RQE 48.682

©2026  por JP Vascular Clínica Médica LTDA  - Todos os Direitos Reservados

bottom of page