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CLaCS: o que é e como funciona o tratamento a laser para vasinhos

  • Foto do escritor: Juliana Puggina
    Juliana Puggina
  • 7 de jun.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 7 de jun.

Aqueles vasinhos vermelhos ou arroxeados que aparecem nas pernas, sobretudo em mulheres, incomodam muita gente — esteticamente e, às vezes, por ardência ou desconforto. Entre as técnicas modernas para tratá-los, uma das mais completas é o CLaCS.


A sigla vem do inglês Cryo-Laser and Cryo-Sclerotherapy e descreve exatamente o que a técnica faz: combina laser, escleroterapia e resfriamento da pele numa mesma sessão.


Neste artigo você vai entender o que é o CLaCS, como ele funciona na prática, o que ele trata (e o que não trata) e como ele se compara a outras opções.


O que é o CLaCS?


CLaCS significa Cryo-Laser and Cryo-Sclerotherapy — ou seja, laser e escleroterapia associados ao resfriamento da pele ("cryo"). A técnica foi desenvolvida no Brasil, em São Paulo, pelo médico Kasuo Miyake, e hoje é usada em diversos países para o tratamento de vasinhos e veias reticulares das pernas.


É importante deixar claro um ponto: o CLaCS é um tratamento transdérmico e ambulatorial, feito por fora da pele, sem cortes e sem cateter dentro da veia. Ele foi pensado para os vasos finos e superficiais — os vasinhos (telangiectasias) e as veias reticulares que os alimentam.


Os três componentes do CLaCS


Dra. Juliana Puggina realizando tratamento CLaCS com laser em vasinhos nas pernas, com iluminador de veias por realidade aumentada vein viewer projetando o mapa dos vasos sobre a pele e ponteira laranja de resfriador de pele.
O CLaCS é um tratamento minimamente invasivo capaz de tratar microvarizes e vasinhos de forma eficaz e segura

O que torna o CLaCS diferente da escleroterapia tradicional é a combinação de três recursos que atuam juntos:


Laser transdérmico: um laser Nd:YAG de 1064 nm é aplicado sobre a pele, sem agulhar cada vaso, aquecendo e fechando tanto os vasinhos (telangiectasias) mais finos quanto as veias reticulares que os alimentam.


Escleroterapia: um agente esclerosante é injetado nas veias, tanto nas reticulares (as azuladas, mais calibrosas, que "alimentam" os vasinhos) quanto nas próprias telangiectasias, fechando os vasos por dentro.


Resfriamento da pele (cryo): um jato de ar frio (em torno de -20 °C) é aplicado sobre a pele durante o procedimento. Ele protege a pele do calor do laser, reduz o risco de queimadura e diminui bastante o desconforto.


Além disso, o CLaCS costuma ser guiado por realidade aumentada (um iluminador de veias que projeta o mapa dos vasos sobre a pele), o que ajuda a localizar com precisão as veias nutridoras que muitas vezes não são visíveis a olho nu.


Como funciona na prática


A sessão é feita no consultório, sem internação. De forma simplificada, o passo a passo é:


Injeção de glicose a 75% realizada após a aplicação do laser nas veias varicosas na técnica CLaCS. Procedimento guiado por mapeamento das veias com vein viewer
A escleroterapia consiste na aplicação da glicose a 75% e é realizada após a aplicação do laser nas veias varicosas na técnica CLaCS

• Mapeamento: com o iluminador de realidade aumentada (Vein Viewer), identificamos os vasinhos e as veias reticulares que os alimentam.


• Laser: o laser transdérmico é disparado sobre os vasinhos, enquanto o ar frio protege a pele.


• Escleroterapia: o esclerosante é injetado nas veias reticulares mapeadas.


• Finalização: a área é novamente resfriada para conforto e proteção da pele.


Cada sessão dura, em média, 60 a 90 minutos, dependendo da quantidade de vasos. A maioria das pessoas precisa de mais de uma sessão para um resultado ótimo — isso varia conforme a extensão dos vasinhos e a resposta individual.


O que o CLaCS trata — e o que ele não trata


O CLaCS é indicado para vasinhos (telangiectasias) e varizes reticulares das pernas, incluindo aqueles mais resistentes à escleroterapia isolada. Ele é, antes de tudo, um tratamento de vasos finos e superficiais.


O que o CLaCS não faz é tratar a insuficiência da veia safena e varizes de grosso calibre. Quando os vasinhos e varizes são causados por refluxo em uma veia calibrosa, como a safena, é esse refluxo que precisa ser corrigido primeiro — geralmente com avaliação por ultrassom Doppler e, se indicado, laser endovenoso (termoablação) da safena. Tratar apenas os vasinhos sem corrigir a safena doente, nesses casos, costuma levar à recidiva precoce.


Por isso, a avaliação vascular antes do CLaCS é fundamental. Se você quer entender quando a safena precisa de tratamento, veja também o nosso artigo sobre tratamento da veia safena.


Quais as vantagens da técnica CLaCS?


A principal vantagem do CLaCS é atacar o problema por dois mecanismos ao mesmo tempo (laser nos vasinhos + escleroterapia nas reticulares), com a proteção do resfriamento. Isso tende a melhorar o resultado em vasos resistentes e a aumentar o conforto durante o procedimento.


Um estudo publicado em 2024 comparou os resultados do CLaCs com a escleroterapia com espuma de polidocanol. Os quase 400 pacientes tratados foram submetidos a 3 sessões de cada tratamento com intervalo de 3 meses entre cada sessão. A eficácia foi para a técnica CLaCS: após a primeira sessão, 64,6% dos vasos desapareceram; após a segunda 86,2%, chegando a perto de 100% de desaparecimento dos vasos após a terceira sessão. Nos pacientes tratados com polidocanol, esses números foram, respectivamente, 50,3%, 74,1%, and 85,3%. (leia o artigo na íntegra aqui)


Estudo publicado pela Dra Juliana Puggina sobre a segurança da técnica CLaCs, que associa laser transdérmico e escleroterapia para o tratamento de telangiectasias e microvarizes
Estudo publicado por nosso grupo de pesquisas em 2025 no Journal of Vascular Surgery

Nosso grupo de pesquisa também publicou recentemente, em 2025, um estudo sobre a segurança da técnica CLaCS em relação à espuma de polidocanol. Foram 23 pacientes tratados com uma técnica em cada membro inferior (cross-over), sendo avaliado como desfecho a presença de manchas após o tratamento. Não foi verificada diferença entre a taxa de aparecimento de manchas entre os dois tratamentos, porém as manchas causadas pela técnica CLaCS apresentaram menor intensidade. (leia o artigo na íntegra aqui)


Eu falei mais sobre as causas e tratamento das manchas relacionadas ao tratamento de varizes e vasinhos no post "Manchas após tratamento de vasinhos e varizes: por que ocorrem e como tratar"


CLaCS, escleroterapia, laser isolado ou microcirurgia: qual escolher?


Não existe uma técnica "melhor" para todo mundo — existe a melhor para o seu caso. A escleroterapia continua sendo excelente para muitos vasinhos. O laser transdérmico isolado ajuda em vasos muito finos ou em quem tem dificuldade com agulhas. E o CLaCS reúne esses recursos quando os vasos são mais resistentes ou quando há veias reticulares nutridoras evidentes.


Já a microcirurgia de varizes consegue eliminar as varizes reticulares e também as varizes de pequeno, médio e grosso calibre. Está especialmente indicada para veias varicosas com mais de 2 mm de diâmetro ou que estejam a mais de 5 mm da superfície da pele, que é a limitação de alcance do laser transdérmico.


Se quiser saber mais detalhes sobre como funciona a sessão, preparos, cuidados pós, complicações e muito mais, clique aqui.


Em resumo: o CLaCS é uma técnica moderna que combina laser, escleroterapia e resfriamento da pele para tratar vasinhos e varizes reticulares com mais precisão e conforto. Não substitui o tratamento da safena quando ela está doente — por isso a avaliação vascular vem sempre primeiro. Se os vasinhos nas suas pernas te incomodam, vale uma avaliação para montar o plano certo para o seu caso.


Um abraço e até a próxima!


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Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular PhD pela USP, especialista em varizes, com clínica na Vila Nova Conceição em São Paulo

Sobre a autora


Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.


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