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Espuma ou cirurgia para varizes: qual o melhor tratamento?

  • Foto do escritor: Juliana Puggina
    Juliana Puggina
  • há 14 horas
  • 4 min de leitura

Varizes são uma das doenças vasculares mais comuns da espécie humana.

Milhões de pessoas no Brasil enfrentam varizes grossas e saltadas, dores, peso, inchaço e cansaço nas pernas.


E quando chega a hora de pensar em tratamento, surge a dúvida clássica: qual é o melhor caminho? Espuma ou cirurgia? A verdade é que não existe uma resposta única — tudo depende do seu caso específico, mas há diferenças importantes que você precisa conhecer.

Pernas com varizes de grosso calibre provenientes de veia safena magna insuficiente
Paciente com varizes de grosso calibre provenientes de veia safena magna insuficiente

Para o cirurgião, cirurgia é sempre a primeira escolha.


Como a cirurgia foi o primeiro tipo de tratamento realizado para as varizes, todos os estudos científicos considera-na como a primeira escolha ou padrão-ouro de tratamento.


Isso ocorre não só pela preferência pessoal do médico cirurgião, mas também porque todos os tratamentos não operatórios implicam em manter a veia tratada no corpo do paciente, aguardando que o sistema imunológico, através de células como os macrófagos, elimine o trajeto venoso tratado de forma definitiva. Sendo assim, o resultado final do tratamento depende da resposta individual de cada organismo e não apenas da qualidade técnica na realização do procedimento.


O que é a escleroterapia com espuma e como funciona?


Confecção da espuma de polidocanol pela técnica de Tessari, utilizando duas seringas e uma torneira de 3 vias.
Confecção da espuma de polidocanol pela técnica de Tessari, utilizando duas seringas e uma torneira de 3 vias.

Já expliquei a técnica em detalhe no post “Tratamento para varizes com espuma: quando deve ser feito?”. Em resumo: a escleroterapia com espuma de polidocanol é um procedimento minimamente invasivo feito no consultório. O polidocanol é um agente esclerosante que, transformado em espuma, ocupa melhor o interior da veia, agride a parede vascular e faz a veia fechar.


A grande vantagem é a praticidade: não exige anestesia geral, internação nem repouso prolongado. É feita no consultório e, na maioria dos casos, o paciente retorna às atividades no mesmo dia. É por isso que tantas pessoas se interessam por ela.




Qual é a eficácia real da espuma a longo prazo?


Aqui está a informação que costuma surpreender. A espuma funciona bem no curto prazo, mas a sua durabilidade é menor do que a das outras técnicas — a veia tende a reabrir (recanalizar) ao longo dos anos com mais frequência.


Uma meta-análise de estudos científicos com 5 anos de acompanhamento, publicada no European Journal of Vascular and Endovascular Surgery, encontrou taxa de sucesso anatômico de cerca de 34% para a espuma, contra 88% para o laser endovenoso e 83% para a cirurgia convencional. Ou seja: em 5 anos, a maioria das safenas tratadas só com espuma volta a apresentar refluxo. (leia o artigo na íntegra aqui)


Outro estudo com seguimento de quase 6 anos mostrou oclusão (fechamento mantido) da safena em 64% dos casos tratados com espuma, contra 93% com laser. Por isso a espuma frequentemente exige mais de uma sessão, e ainda assim costuma ter durabilidade inferior à da termoablação para safenas calibrosas. (leia o artigo na íntegra aqui)


A maior parte dos estudos comparativos entre cirurgia e espuma avaliaram o tratamento exclusivo da veia safena. Poucos estudos compararam o tratamento cirúrgico e o tratamento com espuma das varizes tributárias, que são as demais veias varicosas visíveis nas pernas. .


Um estudo holandês publicado em 2003, que comparou 49 flebectomias (retirada de varizes por microincisões) com 49 varizes tratadas com aplicação da espuma de polidocanol, mostrou que a retirada cirúrgica das varizes apresenta menor taxa de reaparecimento das veias após 1 e 2 anos do tratamento. (leia o estudo na íntegra aqui)


Como saber qual técnica é melhor para cada caso?


Somente após uma consulta detalhada e a realização de um exame de ultrassom Doppler, o médico Cirurgião Vascular conseguirá entender melhor o seu caso e indicar um plano de tratamento personalizado que pode conter uma ou mais técnicas visando atingir o melhor resultado.

Imagem de veia em tornozelo visível através de aparelho de realidade aumentada Vein Viewer
O exame físico com auxílio da realidade aumentada e do ultrassom Doppler é fundamental para a escolha da melhor técnica

Para o tratamento da veia safena, a primeira escolha é a termoablação com laser ou radiofrequência, conforme orientação dos últimos consensos internacionais. A safenectomia convencional continua sendo uma opção efetiva e válida, especialmente nos casos em que a termoablação não possa ser realizada. Já o tratamento da veia safena com espuma de polidocanol deve ser escolhido com cautela, pois, como vimos, o resultado a longo prazo é inferior às outras técnicas.


Para o tratamento das outras varizes, diversos parâmetros devem ser considerados para a escolha da técnica de tratamento, em especial o diâmetro, a profundidade e a relação dessas varizes com a veia safena. Tanto a retirada cirúrgica das varizes, flebectomia, quanto a espuma de polidocanol são alternativas válidas e efetivas. Nesse caso, ainda não temos estudos que esclareçam, com certeza, qual delas é a mais adequada.


Além da flebectomia e da espuma, também ainda pode ser realizada a ablação com laser endovenoso das veias varicosas , procedimento igualmente pouco invasivo e que pode ser realizado no consultório, com anestesia local.


Expliquei cada um dos diferentes tipos de cirurgias para varizes com mais detalhes no post "Tipos de cirurgia para varizes: conheça todos"


Espero que suas dúvidas estejam esclarecidas! Mas se você tiver mais alguma, escreva nos comentários.


Um abraço e até a próxima.


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Dra. Juliana Puggina, cirurgiã vascular PhD pela USP, especialista em varizes, com clínica na Vila Nova Conceição em São Paulo

Sobre a autora


Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.


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