Espuma ou cirurgia para varizes: qual o melhor tratamento?
- Juliana Puggina

- há 14 horas
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Varizes são uma das doenças vasculares mais comuns da espécie humana.
Milhões de pessoas no Brasil enfrentam varizes grossas e saltadas, dores, peso, inchaço e cansaço nas pernas.
E quando chega a hora de pensar em tratamento, surge a dúvida clássica: qual é o melhor caminho? Espuma ou cirurgia? A verdade é que não existe uma resposta única — tudo depende do seu caso específico, mas há diferenças importantes que você precisa conhecer.

Para o cirurgião, cirurgia é sempre a primeira escolha.
Como a cirurgia foi o primeiro tipo de tratamento realizado para as varizes, todos os estudos científicos considera-na como a primeira escolha ou padrão-ouro de tratamento.
Isso ocorre não só pela preferência pessoal do médico cirurgião, mas também porque todos os tratamentos não operatórios implicam em manter a veia tratada no corpo do paciente, aguardando que o sistema imunológico, através de células como os macrófagos, elimine o trajeto venoso tratado de forma definitiva. Sendo assim, o resultado final do tratamento depende da resposta individual de cada organismo e não apenas da qualidade técnica na realização do procedimento.
O que é a escleroterapia com espuma e como funciona?

Já expliquei a técnica em detalhe no post “Tratamento para varizes com espuma: quando deve ser feito?”. Em resumo: a escleroterapia com espuma de polidocanol é um procedimento minimamente invasivo feito no consultório. O polidocanol é um agente esclerosante que, transformado em espuma, ocupa melhor o interior da veia, agride a parede vascular e faz a veia fechar.
A grande vantagem é a praticidade: não exige anestesia geral, internação nem repouso prolongado. É feita no consultório e, na maioria dos casos, o paciente retorna às atividades no mesmo dia. É por isso que tantas pessoas se interessam por ela.
Qual é a eficácia real da espuma a longo prazo?
Aqui está a informação que costuma surpreender. A espuma funciona bem no curto prazo, mas a sua durabilidade é menor do que a das outras técnicas — a veia tende a reabrir (recanalizar) ao longo dos anos com mais frequência.
Uma meta-análise de estudos científicos com 5 anos de acompanhamento, publicada no European Journal of Vascular and Endovascular Surgery, encontrou taxa de sucesso anatômico de cerca de 34% para a espuma, contra 88% para o laser endovenoso e 83% para a cirurgia convencional. Ou seja: em 5 anos, a maioria das safenas tratadas só com espuma volta a apresentar refluxo. (leia o artigo na íntegra aqui)
Outro estudo com seguimento de quase 6 anos mostrou oclusão (fechamento mantido) da safena em 64% dos casos tratados com espuma, contra 93% com laser. Por isso a espuma frequentemente exige mais de uma sessão, e ainda assim costuma ter durabilidade inferior à da termoablação para safenas calibrosas. (leia o artigo na íntegra aqui)
A maior parte dos estudos comparativos entre cirurgia e espuma avaliaram o tratamento exclusivo da veia safena. Poucos estudos compararam o tratamento cirúrgico e o tratamento com espuma das varizes tributárias, que são as demais veias varicosas visíveis nas pernas. .
Um estudo holandês publicado em 2003, que comparou 49 flebectomias (retirada de varizes por microincisões) com 49 varizes tratadas com aplicação da espuma de polidocanol, mostrou que a retirada cirúrgica das varizes apresenta menor taxa de reaparecimento das veias após 1 e 2 anos do tratamento. (leia o estudo na íntegra aqui)
Como saber qual técnica é melhor para cada caso?
Somente após uma consulta detalhada e a realização de um exame de ultrassom Doppler, o médico Cirurgião Vascular conseguirá entender melhor o seu caso e indicar um plano de tratamento personalizado que pode conter uma ou mais técnicas visando atingir o melhor resultado.

Para o tratamento da veia safena, a primeira escolha é a termoablação com laser ou radiofrequência, conforme orientação dos últimos consensos internacionais. A safenectomia convencional continua sendo uma opção efetiva e válida, especialmente nos casos em que a termoablação não possa ser realizada. Já o tratamento da veia safena com espuma de polidocanol deve ser escolhido com cautela, pois, como vimos, o resultado a longo prazo é inferior às outras técnicas.
Para o tratamento das outras varizes, diversos parâmetros devem ser considerados para a escolha da técnica de tratamento, em especial o diâmetro, a profundidade e a relação dessas varizes com a veia safena. Tanto a retirada cirúrgica das varizes, flebectomia, quanto a espuma de polidocanol são alternativas válidas e efetivas. Nesse caso, ainda não temos estudos que esclareçam, com certeza, qual delas é a mais adequada.
Além da flebectomia e da espuma, também ainda pode ser realizada a ablação com laser endovenoso das veias varicosas , procedimento igualmente pouco invasivo e que pode ser realizado no consultório, com anestesia local.
Expliquei cada um dos diferentes tipos de cirurgias para varizes com mais detalhes no post "Tipos de cirurgia para varizes: conheça todos"
Espero que suas dúvidas estejam esclarecidas! Mas se você tiver mais alguma, escreva nos comentários.
Um abraço e até a próxima.
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Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.
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