Tipos de cirurgia para varizes: conheça todos
- Juliana Puggina

- 11 de jun.
- 5 min de leitura
Atualizado: 13 de jul.
As varizes afetam cerca de 30% da população adulta, e muitos pacientes me perguntam qual é o tipo de cirurgia "ideal". A verdade é que não existe uma cirurgia única que resolve todos os casos. A escolha depende do diagnóstico preciso feito com ultrassom Doppler, especialmente entendendo se há ou não insuficiência da veia safena.
Neste artigo, vou explicar cada tipo de cirurgia disponível no Brasil, como funcionam e quando são indicadas.

Quando a veia safena está saudável?
Se o Doppler mostra que sua veia safena não tem refluxo ou insuficiência, a cirurgia é focada apenas nas varizes tributárias (colaterais)—aquelas que você vê salientes nas pernas. Essa cirurgia é conhecida por microflebectomia ou microcirurgia de varizes ou ressecção de veias tributárias (ou colaterais).
O procedimento usa pequenas incisões (de 2-3 mm) com um bisturi oftalmológico delicado. Através dessas aberturas minúsculas, utilizamos um dissector venoso—um instrumento fino como uma agulha de crochê—para remover a veia. É como tirar um fio de uma costura: fazemos vários pontinhos de acesso e puxamos a veia por completo. Essa cirurgia é pouco invasiva, mas exige grande detalhe técnico.
A microflebectomia pode ser realizada com anestesia local no próprio consultório do cirurgião vascular, quando há poucas veias doentes a serem retiradas, ou ainda pode ser realizada no ambiente hospitalar, com raquianestesia associada a sedação ou anestesia geral. Pode ser realizada também concomitantemente à cirurgia de retirada da veia safena ou outras técnicas que envolvam o laser.

Além de remover fisicamente as varizes colaterais, existe um outro caminho para tratar essas tributárias: fechá-las por dentro com laser. Em vez de puxar a veia para fora, eu introduzo uma fibra ótica bem fininha dentro dela por uma simples punção de agulha—sem corte—e o laser aquece e sela a parede da veia por dentro. A veia fechada deixa de receber sangue e vai sendo absorvida pelo organismo ao longo das semanas. A grande diferença em relação à microcirurgia é o acesso (picadinha de agulha em vez de micro-incisões) e o tempo do resultado, que aqui aparece de forma gradual. Não existe a melhor técnica no geral— a escolha depende do calibre e do trajeto de cada veia, e muitas vezes eu combino as duas na mesma sessão. Se quiser entender essa técnica em detalhe, escrevi um conteúdo só sobre a ablação de tributárias com laser.
Existe ainda a opção de tratamento das veias tributárias varicosas sem cirurgia, utilizando, por exemplo, a escleroterapia com espuma de polidocanol. Falo mais detalhes sobre esse tratamento no post Tratamento para varizes com espuma: quando deve ser feito?.
O que fazer quando a safena está insuficiente?
Se o Doppler revela insuficiência ou refluxo na veia safena magna, precisamos tratar essa veia. Existem várias opções modernas—todas minimamente invasivas—além da cirurgia convencional.
1. Safenectomia convencional
É a cirurgia mais antiga, descrita no começo do século XX. Fazemos uma incisão na virilha e outra próxima do pé, desconectamos a safena e a retiramos usando um "extrator"—um fio que prende a veia e a puxa. Essa cirurgia, apesar de antiga, tem excelente resultado, tão bom quanto às cirurgias mais modernas, porém deixa cicatrizes maiores e a recuperação leva mais tempo. Expliquei essa cirurgia com detalhes no post "Como é feita a cirurgia de varizes nas pernas? Passo a passo".

2. Ablação com laser endovenoso
Por meio de uma punção com agulha fina, inserimos uma fibra óptica dentro da veia safena. A fibra emite laser que aquece e sela a parede interna da veia. É rápido, minimamente invasivo e a recuperação é excelente. Se quiser saber como esse procedimento é feito detalhadamente, acesse o conteúdo Termoablação endovenosa com Laser.
3. Radiofrequência (RF)
Funciona de forma parecida ao laser, mas ao invés de luz, usa ondas de rádio de alta intensidade. Um catéter dentro da veia emite essas ondas que aquecem e selam a veia. Os resultados são similares aos do laser—excelente eficácia e recuperação rápida.
4. Ablação mecanoquímica
Essa técnica combina dois mecanismos: um catéter libera espuma de polidocanol (um esclerosante químico) enquanto garras na ponta do catéter fazem micro-lesões mecânicas na parede da veia. A combinação de dano mecânico e químico fecha a veia.
A safenectomia convencional é geralmente realizada no hospital, utilizando anestesia geral ou raquianestesia associada a sedação. Já as técnicas minimamente invasivas (laser, radiofrequência e ablação mecanoquímica) podem ser realizadas no consultório médico com anestesia local ou ainda no hospital com raquianestesia ou anestesia geral, caso seja necessário.
O que esperar da recuperação após a cirurgia de varizes?
A recuperação após a cirurgia de varizes depende da quantidade de veias que foram tratadas, do estado de saúde prévio do paciente, se foi necessário tratar ou não a veia safena e principalmente da técnica cirúrgica utilizada.
Para as cirurgias que não envolvem o tratamento da veia safena, a recuperação é bastante rápida. Tanto a microflebectomia quanto a ablação com laser das veias tributárias são procedimentos que causam desconforto leve, com dor de baixa intensidade geralmente restrita aos primeiros dias após o procedimento e que cede com analgésicos simples. O retorno às atividades diárias vai depender da quantidade de veias tratadas. Para os casos em que são retiradas 1 ou 2 veias, o retorno às atividades pode ser imediato, sem necessidade de nenhum repouso e nem restrição a nenhum movimento. Já nos casos em que há uma quantidade grande de veias tratadas, pode ser necessário repouso por 2 a 7 dias.
Quando a veia safena está comprometida, a recuperação será diretamente relacionada ao tipo de cirurgia realizada. Após a safenectomia convencional, o paciente terá uma cicatriz cirúrgica com pontos na região da virilha e outra cicatriz na região do joelho ou tornozelo. Por conta disso, o repouso se faz necessário, evitando movimentos bruscos, pegar peso e atividades mais intensas por no mínimo 14 dias. Além disso, a retirada da veia e os cortes causam um pouco mais de dor no trajeto da veia nos primeiros dias, necessitando uso de medicações analgésicas e anti-inflamatórias.
Nos procedimentos realizados através de punção com agulha, como o laser, a radiofrequência e a ablação mecanoquímica, não há pontos e nem incisão cirúrgica. Desse modo, o repouso tem apenas o papel de alívio de algum desconforto ou dor que o paciente possa ter após o procedimento. Nenhum movimento, como abaixar ou pegar peso, será capaz de causar problemas ou estragar a cirurgia realizada. Sendo assim, se o paciente estiver se sentindo bem, ele poderá retornar às suas atividades cotidianas imediatamente.
Nos casos em que há o tratamento da veia safena de forma minimamente invasiva associado à microflebectomia ou ablação de veias tributárias em maior quantidade, pode ser necessário repouso de 2 a 7 dias após o procedimento, visando o conforto do paciente e evitando dor.
Espero que suas dúvidas estejam esclarecidas! Mas se você tiver mais alguma, escreva nos comentários.
Um abraço e até a próxima.
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Sobre a autora
Dra. Juliana Puggina é médica cirurgiã vascular e escreve artigos informativos no blog 'Pernas pra que te quero'. Formada em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com residência médica em Cirurgia Vascular e Doutorado em Ciências (Ph.D.) pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular e da American Vein & Lymphatic Society.
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